segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A tristeza

A atriz,tesa,de tez trêmula.Via a tristeza como seu maior problema.O texto trazido à tona no topo de um tablado,tornou a vida torpe e transviado o mundo.E a crença num só Deus apenas o pano de fundo para a tristeza da atriz tesa.Outrora feliz e surpresa.Agora de tez trêmula.Pois o fato de estar triste tornou-se realmente seu maior problema.Um emblema estampado em seu rosto,em sua alma refletido.O que lhe rendia trágicos papéis ao invés dos divertidos.Motivo esse que a fazia vender tristeza e tentar comprar alegria.E comprava com seu olhar turquesa,os sorrisos destinados à sua beleza,não à sua atuação.Mas com firmeza ela seguia e não se aborrecia.Aprendeu a aceitar o que a vida lhe oferecia.E a dobrar o que era aceito.À respeito de várias coisas um pouco ela sabia.Não sabia cozinhar,mas água ela fervia.Para ela isso era irrelevante.Nunca quis ser esposa,mas era ótima amante.Bebidas destiladas eram o que lhe apetecia.O fato do álcool em sua boca tornar-      se uma ambrosia  mas lhe render homéricas ressacas.A fez perceber que um copo é muito,pouco é uma só garrafa.Fora do teatro ia sempre ao mesmo bar que ao mesmo tempo era seu juiz e seu algoz.Um dia reclamou não ter lugar para se sentar e eu parafraseei sem pensar:"atrás há três atriz atroz.Ela achou aquilo divinamente ultrajante,ridiculamente genial.E eu que até então era o anexo me tornei o prédio principal.Assim ela me tinha na palma da mão.Poderia machucar meu coração ou fazer com que eu machucasse meu fígado.Até o dia em que me achasse digno do seu amor,merecedor do seu sexo.Então deixei de ser o prédio principal e voltei a ser o anexo.

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