
Às 01:30 ela já sabia que os seus planos tinham ido por água abaixo. Sentia na pele um arrepio diferente, talvez uma mistura de frustração e inquietação. Resolveu ir pra casa, encarou o frio da noite e seguiu em frente. No meio do caminho deparou-se com um embrulho, tão disforme quanto a sua consciência. Pensou em abri-lo, porém, conteve os seus passos.
Sentou na calçada e acendeu o seu último cigarro. Deu um trago e soltou o seu último suspiro, tirou da bolsa a arma que arrumara emprestada. Reelaborou o seu plano.
Chegou em casa às 03:45, encerrou a garrafa de um uísque barato, tomou um banho, vestiu o seu pijama. Leu uns versos de Drummond, escutou um pouco de música. Chorou por não tê-lo encontrado, decidiu partir sem ele.
Sentou no parapeito da janela, olhou para a lua e percebeu que o seu brilho a intimidava. Não deixou que essa visse a sua última lágrima, inclinou a cabeça para baixo.Disparou.Seu corpo ainda figura entre as flores na varanda.
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