Procurei a calma da alma.
Não encontrei.
Olhei para as outras pessoas.
Reconheci-a em algumas.
Temi buscá-la em outras.
Tentei olhar-me por dentro.
Perdi-me no desconhecido.
Joguei-me no que eu não sabia.
Percebi a fuga da busca.
Pensei nas esquinas da vida.
Projetei um sorriso.
Disse que voltaria.
Assumi que não havia mais sentido.
Encontrei no exílio o meu abrigo.
De grão em grão construí o belo.
Moldei-o como achava certo.
E como um farol o ergui.
Fiz da areia rocha.
Compartilhei a luz.
Emprestei minha paisagem.
Desmontei a guarda.
Enfeitei o calabouço do meu ser.
Tranquei-me lá.
Libertei minha obra-prima.
A matéria desfez-se.
Não sei se partiu com o vento
ou purificou-se na água do mar.

A carne fria.
O espírito quente.
Anestesiada a angústia.
O olhar dormente.
A paisagem cinza.
O caminho escuro.
Acaracia-me, ó brisa.
Guia-me para o que procuro.
Minhas mãos tremem.
O fervor é interno.
Meus medos procuram
o calor deste inverno.
Ela contou os dias. Reviveu os anos. Projetou os sonhos. Entendeu-se com o corpo e o espírito para o dia de sua formatura. Preparou-se para vê-lo sentado na platéia (especialmente) para vê-la. Enfeitou um lindo vestido, coloriu o seu rosto. Realçou o sorriso. Pediu para o seu coração se acalmar, tentou poupá-lo para a hora certa. No esperado dia, quase se perdeu entre o brilho de tantas luzes. Usou-as como aliadas para procurá-lo. Esqueceu-se da cerimônia. Descobriu que ele não estava lá. Tentou conter a dor no peito. Não conseguiu. Pode chorar solenemente. Com lágrimas, assinou a ata.
Ela morreu.
- De quê?
- De amor.
- Por quem?
- Por mim.
- Não acredito.
- Eu juro.
- Amor não mata.
- Mata e é viral. O médico me deu três dias de vida.
Yo conozco tus ojos.
Recuerdo tus besos.
Me pierdo a soñar.
Despertando el deseo.
Solo tu eres la noche de mi vida.
O certo é que o errado proporciona
as melhores experiências.
Não há nada como estar no auge
e sucumbir a decadência.
Exercitando meus demônios
talvez um anjo me apareça.
E eu com meu sorriso lacônico
rezarei pra que não feneça minha fé.
Demasiadamente posta em cheque.
Então farei uma pausa.
Que nem samba de breque.
Por mais que peque
e ainda à Deus eu almeje.
Tenho contas à acertar com Ele
que se acumulam desde os treze.
Revisitei o passado. Surpreso, ele abriu-me a porta. Entrei ensaiando frios passos. Reconheci a mobília. Temi a nova decoração. Sentei-me querendo deitar-me. Respirei, suspirei. Forasteira, recuei para a entrada: ela não mais existia. Fui embora pela porta dos fundos. O passado não me pediu para ficar e nem me acompanhou até a saída. Despedi-me. Ele não me respondeu. Chorei sem olhar para trás. Consagrei o rito.