
O que sentimos, fazemos de forma tão primária
que tentamos encaixar em palavras.
Como se essas preenchessem os vazios que temos em nós.
Como se essas exorcizassem os demônios que nos habitam.
Como se essas pudessem expressar o que não dominamos e
nem, tampouco, entendemos.
Apenas sentimos.
As palavras põem o mundo em nós, e nos põem no mundo.
Não sei se a troca é justa.
Há dias em que o mundo entra em transe e nos deixa de lado.
Há também palavras que se maquiam, transformam-se em outras palavras.
Camuflam-se.
Mais enigmática do que a palavra amor, só a palavra saudade:
Bruta como ela só, não há tradução que a lapide.
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