
“Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.
Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.”
O seu corpo já jazia rijo.
Sem mais segredos, sem esconderijo.
A sua voz fora silenciada.
Não havia mais caminhos ao redor da sua estrada.
Os seus gestos foram desinibidos.
Seus pecados agora serão permitidos?
Pra não dizer que não falei das flores.
Pra não dizer que não chorei suas dores.
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