Ele sabia,sempre soube. Mas nunca contou o que houve. Isso o fez misterioso,não sozinho. Guardada a devida proporção ele era a pedra em seu caminho. Este feito à pé. Drasticamente. No fim estava sumindo. Como todos em sua mente.
Há quem se separe pela distância. Há quem faça dessa somente uma instância. Há quem se mate pela saudade. Há quem não a encare como verdade. Há quem se renda ao medo. Há quem faça dele só mais um segredo. Há quem vislumbre as partes. Há quem procure metades.
Ando perdida num mundo abstrato. Os rumos não me levam às vias de fato. A lucidez traduz o que sou e o que faço. A embriaguez me mostra que nada é exato. O que pesa nos ombros é só mais um percalço. O que levo na mente é o meu desembaraço. Sei o que sinto e sei por onde passo. Desato os nós e faço deles um laço. Enfeito o meu caminho: Por demais bifurcado.
Ele a perseguia, a perturbava. Ela consentia, se exaltava. Ambos se evitavam sóbrios. Ambos se atraíam ébrios. A consequência é incerta. A intenção; certa. A paixão; secreta.
Esqueci a chuva e dancei pelado Escureci a veia,deitei ao seu lado. Fiquei calado por algumas horas. Ouvindo a tristeza do mundo lá fora.
Embora queira ir embora,agora não importa. Abriu-de o caminho que me leva até as portas. Essa vida tão bonita não evita meu sarcasmo. Sua boca beija,grita e habilita meu orgasmo.
Sou um suicida sem coragem,atrás de uma vida prazerosa. Dou a ela meus espinhos ela me devolve rosas.
Tornei a morte desejável,não imediata. A vida eu tornei mutável pois ela é exatamente o que se deseja. Seja como for,o que for que seja.
Ela estava perdida.Atrás de algo que lhe completasse. Que preenchesse o espaço que julgava estar vazio. Estava no seu cio ébrio.Em sua via sacra alcoólica. Às vezes acompanhada,por outras insólita. Por um tempo havia esquecido. Deixou aquilo de sobre aviso,guardado. Mas precisava achar a chave do seu próprio cadeado.
Tentava não guardar mágoas de quem queria ter tido. Sozinha se afogava na fonte dos esquecidos. Procurava em versos calcados no passado, respostas pra seu universo corrompido.
Então ele chegou,antes mesmo que ela o visse. Com um sorriso no canto da boca,como se ouvisse os seus mais secretos desejos e impuros pensamentos. Ela achou onde se perder,mas não quis eternizar o momento.
“Quando o enterro passou Os homens que se achavam no café Tiraram o chapéu maquinalmente Saudavam o morto distraídos Estavam todos voltados para a vida Absortos na vida Confiantes na vida. Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado Olhando o esquife longamente Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade Que a vida é traição E saudava a matéria que passava Liberta para sempre da alma extinta.”
O seu corpo já jazia rijo. Sem mais segredos, sem esconderijo. A sua voz fora silenciada. Não havia mais caminhos ao redor da sua estrada. Os seus gestos foram desinibidos. Seus pecados agora serão permitidos? Pra não dizer que não falei das flores. Pra não dizer que não chorei suas dores.
... e ela aceitou que não poderia ter o que faltava para completá-la. Trancou-se dentro de si mesma. Tentou desdobrar-se em várias para preencher o espaço não habitado. Abraçou lembranças que a fizeram feliz. De repente, sentiu-se completa. Sua escuridão fora exilada. Seu sorriso tornou-se tão belo quanto a luz do sol.
Imergi meu corpo num banho tépido Descansei meu corpo esquelético sobre os seios de quem já não quero. Não anseio nem espero que minha boca ressequida se molhe com seus beijos. Num lampejo de lucidez perpetuada através da felicidade química. Vi num sorriso um abismo eternizado por cínicas palavras que pausadamente a ouvir dizer. Meus olhos transmitem verdade. Se esforçam pra esconder que sua fidelidade não vale nada. Nem mesmo pra você.
Agora você para e olha pro infinito. Se depara com o futuro e o futuro é bonito. Um grito de liberdade escrito em linhas tortas. Milhares de labirintos que dão na mesma porta.
Mesmo quebrado um relógio é certo duas vezes por dia. Eu já fui certo há muito tempo atrás e era tudo que queria e ainda quero. Deixar velhas lembranças para trás,de um tempo que jamais irá voltar. Mas ouvi dizer que o mundo gira e volta pro mesmo lugar.
Nem sei dizer precisamente quanto tempo faz. É infinitamente muito triste,sei que não estamos mais. Agora te encontro em outras mulheres. Estou pagando para não pagar a paga que todo homem paga quando não quer se casar.
Tenho plena consciência que a decência que me falta lhe sobra. Mas se você tem paciência e persistência,mãos à obra. Pois talvez isso alivie minha dor. Por algum tempo me faça esquecer que o passado não é enterrado sem você.