
Numa dessas noites vagueei além do habitual. Procurei pelo seu submundo, pois sei que do seu mundo convencional não faço parte. Nele me encontrei. Descobri que conhecia o roteiro e, infelizmente, me reconheci como uma mera cenografia.
Vieram várias trilhas sonoras em minha mente. Foi como se o seu submundo se embalasse através de músicas que ouço repetidamente. Então de uma simples cenografia me promovi à diretora. Eu quis poder ditar o itinerário dos seus passos. Desejei que eles deixassem de ser óbvios. Empolguei-me e imaginei-me dirigindo a sua vida. Dessa forma, eu poderia tentar enquadrar a sua fisionomia de encontro com a minha. Eu forjaria um lindo jogo de luzes.
Até pensei que todo o meu anseio pudesse ser passado através de um filme de cinema mudo. Só que ao invés da sua expressão, o que aparecia seria o meu reflexo sobre a lente da câmera, sombreando o enquadramento de uma ficção por demais tardia. Ao invés de ser uma pretensiosa diretora, melhor seria que eu fosse uma dublê que evitasse todas as nossas feridas.
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